Instituto Abaitará abre ano letivo com inclusão de indígenas do Vale do Guaporé

21/03/2017

Aula inaugural do Instituto Abaitará foi realizada no Centrer, em Ouro Preto do Oeste

Instituto Abaitar abre ano letivo com incluso de indgenas do Vale do Guapor

A aula inaugural do Instituto Abaitará, que aconteceu ao final da tarde de segunda-feira (20), em Ouro Preto do Oeste, reuniu 300 alunos com seus sonhos ousados, além das autoridades. Um exemplo é a indígena Arlinda Macurap Canoé, que veio da aldeia Ricardo Franco, na região de Guajará- Mirim, e está decidida a criar gado para ajudar sua comunidade.

Os estudantes ficarão, durante três anos, estudando e morando em Abaitará. Por pelo menos 90 dias, as aulas acontecerão no Centro de Treinamento da Emater (Centrer), em Ouro Preto do Oeste, que passou por algumas adaptações para comportar o entusiasmo e o conteúdo da grade escolar.

A alegria dos alunos se completou com o discurso incentivador do governador Confúcio Moura, que fez questão de participar do evento. Para o governador, o ensino na região deve ter foco no conteúdo que deve levar o jovem ao mercado de trabalho e, ainda, influenciar nas propriedades rurais de onde saíram e na comunidade. “Não adianta ter uma escola que forma, mas não prepara para vida”, disse aos alunos.

Arlinda, a indígena que quer fazer a diferença em sua aldeia, optou por estudar agropecuária. Mas são oferecidos também os cursos de agroecologia, apicultura, agronegócio e informática.

Com 21 anos e mãe de duas filhas, Arlinda deixou as crianças com os pais. “Ela sempre foram mais apegadas aos avós”, revela. Determinada a novas conquistas, a jovem indígena está disposta a enfrentar três anos longe da família. “Vai dar tudo certo”, prevê.

Até 2016, o instituto atendia 100 alunos. Agora, são 300. Eles representam 38 municípios de Rondônia, o que significa que o conhecimento transmitido em período integral estará espalhado num espaço significativo do estado. Há, também, dois alunos que vieram do estado de Mato Grosso.

E motivação não vai faltar. Tiago Lagassi concluiu a formação técnica em 2016 e agora cursa agroecologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ele reviu colegas e testemunhou sua trajetória em Abaitará. E ainda aproveitou para fazer três recomendações aos novos alunos: respeito aos colegas e funcionários da escola, determinação para superar as adversidades e zelo pelo instituto.

“Esta é, a partir de agora, a casa de vocês. No lugar onde moram seus pais, vocês serão apenas visitantes nos próximos anos”, afirmou Tiago enquanto era demoradamente aplaudido.

O ex-aluno também quer mais colegas formados em agroecologia. “Podemos fazer uma agricultura que respeite o ambiente e a saúde das nossas famílias”, defendeu.

INCLUSÃO

A diretora do instituto, Eliane Cristina, chorou várias vezes durante a cerimônia. Ela chamou a atenção de todos para o fator inclusivo da turma que inicia neste ano. “Aqui estão filhos de produtores rurais e indígenas. São representantes de famílias que confiaram a nós uma grande responsabilidade”, explicou.

Eliane destacou que o mundo só pode ser mudado pela educação com qualidade e fez uma homenagem ao governador do estado. “Ele está assumiu a missão de fortalecer o instituto Abaitará. Ele honra a educação com esta determinação”, concluiu.

PROFISSÃO

“A escola viveu um período difícil”, lembrou Confúcio Moura ao final da aula. O governador voltou a dizer que sente um profundo amor pela escola e que vê na instituição o caminho para que os alunos tenham ocupação profissional garantida. Ele acentuou que para cada um dos cursos oferecidos há mercado de trabalho disponível no estado.

No decorrer dos cursos, disse ainda o governador, os alunos vão conhecer propriedades rurais, onde conhecerão as práticas de qualidade, as lojas, os criadouros de aves e os laticínios, por exemplo.

Confúcio também reiterou a necessidade de fugir do modelo de educação que impede a criatividade e exclui a tecnologia. Ele citou que os alunos têm telefones celulares que podem abrir as portas para novos conhecimentos.

O governador encerrou dizendo que o Brasil não foi descoberto por Pedro Álvares Cabral, o navegador que anunciou a conquista das terras para Portugal. “Antes dele, os indígenas estavam aqui como os primeiros defensores da natureza”, afirmou para conferir mais ênfase à inclusão das diversas etnias da região nas ações voltadas para a educação.

CONHECIMENTO

Os 50 alunos indígenas são das aldeias localizadas nas margens dos rios Mamoré e Guaporé. Eles foram incluídos no processo educacional a partir de uma observação de Alessandra Portales, a coordenadora administrativa e financeira do barco hospital Walter Bártolo, do governo do estado.

Como percorre a região ribeirinha do Mamoré e Guaporé levando atendimento médico, Alessandra observou que muitos indígenas jovens vivem ociosos porque a formação escolar não oferece conhecimento para a vida profissional. “Expliquei ao governador e ele ofereceu vagas na escola Abaitará”, disse ela.

Alessandra se encarregou de visitar as aldeias e explicar às lideranças a oportunidade que estava sendo oferecida. E o contingente de jovens indígenas foi agregado ao programa de formação técnica oferecida por Abaitará.

O Instituto Abaitará está instalado na zona rural do município de Pimenta Bueno. A reforma e ampliação que estão sendo feitas devem durar cerca de 90 dias. Neste período, as aulas acontecerão no Centrer, para onde alunos e professores foram descolados.


Fonte:SECOM